A pHmetria esofágica é o exame considerado o padrão-ouro para o diagnóstico da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). Por meio de sensores ultrassensíveis, o exame monitora continuamente os níveis de acidez dentro do esôfago durante 24 horas ou mais, fornecendo ao gastroenterologista dados precisos sobre a frequência, duração e intensidade dos episódios de refluxo ao longo do dia e da noite.
O Que é a pHmetria Esofágica?
A pHmetria esofágica é um exame funcional que mede o pH (nível de acidez) no interior do esôfago de forma contínua e prolongada. Diferentemente da endoscopia, que avalia a estrutura do esôfago, a pHmetria avalia a função do esôfago e dos esfíncteres, detectando quando o conteúdo ácido do estômago retorna ao esôfago e por quanto tempo ele permanece em contato com a mucosa esofágica.
O exame pode ser realizado de duas formas: a pHmetria convencional, que utiliza um cateter fino introduzido pelo nariz até o esôfago, e a pHmetria sem fio (cápsula Bravo), na qual uma cápsula miniaturizada é fixada à parede do esôfago durante a endoscopia e transmite os dados por radiofrequência para um gravador externo, dispensando o cateter e proporcionando maior conforto ao paciente.
Para Que Serve a pHmetria Esofágica?
O principal objetivo da pHmetria esofágica é confirmar ou afastar o diagnóstico de doença do refluxo gastroesofágico, especialmente em pacientes cujos sintomas não respondem adequadamente ao tratamento medicamentoso ou cuja endoscopia digestiva alta não revelou alterações significativas. Além disso, o exame é fundamental para correlacionar os sintomas relatados pelo paciente (como azia, tosse crônica e rouquidão) com os episódios reais de refluxo ácido registrados pelo monitor.
A pHmetria esofágica também é indicada nas seguintes situações: avaliação de pacientes candidatos à cirurgia antirrefluxo (como a fundoplicatura laparoscópica), acompanhamento pós-operatório para verificar a eficácia do procedimento cirúrgico, investigação de manifestações atípicas do refluxo (como asma, laringite crônica, sinusite e erosão dentária), e diferenciação entre refluxo ácido, refluxo não ácido e refluxo de bile.
Quando o Médico Solicita Este Exame?
O gastroenterologista pode solicitar a pHmetria esofágica em diversas situações clínicas. Os principais cenários que motivam a realização do exame incluem: azia frequente que não melhora com o uso de inibidores de bomba de prótons (IBP), endoscopia normal em paciente com sintomas típicos de refluxo, suspeita de refluxo como causa de tosse crônica sem causa pulmonar identificada, rouquidão persistente sem causa laringológica, e dor torácica não cardíaca.
Pacientes com endoscopia que revela esofagite erosiva, esôfago de Barrett ou outras complicações do refluxo frequentemente também são submetidos à pHmetria para avaliar a magnitude do refluxo e orientar o planejamento terapêutico. A pHmetria esofágica é especialmente valiosa quando associada à manometria esofágica, formando um protocolo completo de investigação funcional do esôfago.
Como é Feito o Exame de pHmetria Esofágica?
Para a realização da pHmetria esofágica convencional, o paciente deve comparecer em jejum de pelo menos 4 a 6 horas. Medicamentos que interferem na acidez gástrica, como omeprazol, esomeprazol, pantoprazol e demais inibidores de bomba de prótons, geralmente precisam ser suspensos 7 dias antes do exame, conforme orientação do médico solicitante. Bloqueadores H2 (ranitidina, famotidina) devem ser suspensos por 2 dias.
No dia do exame, um cateter ultrafino e flexível, dotado de sensores de pH, é inserido delicadamente por uma das narinas e posicionado no esôfago, com o sensor distal localizado 5 cm acima do esfíncter esofágico inferior (determinado previamente pela manometria). O cateter é fixado ao nariz com uma pequena fita adesiva e conectado a um gravador portátil preso à cintura do paciente. O paciente permanece com o cateter por 24 horas, durante as quais deve realizar suas atividades normais, registrar em um diário os horários das refeições, do deitar e dos sintomas experimentados.
O Que é Medido Durante a pHmetria?
Durante o período de monitorização, o exame registra continuamente o valor do pH no esôfago. Um pH menor que 4 (ácido) é considerado compatível com refluxo ácido. O sistema analisa automaticamente os dados e gera um relatório com os seguintes parâmetros principais:
- Percentual de tempo com pH < 4: tempo total em que o esôfago esteve exposto ao ácido, tanto na posição em pé quanto deitada.
- Número de episódios de refluxo: quantas vezes o pH caiu abaixo de 4 durante o período de monitorização.
- Duração do episódio mais longo de refluxo: duração do episódio contínuo mais prolongado.
- Escore DeMeester: pontuação composta que integra os diferentes parâmetros, sendo considerado anormal quando maior que 14,72.
- Índice de Sintoma (IS): correlação entre os episódios de refluxo e os sintomas registrados pelo paciente no diário.
pHmetria com Impedância: O Que é?
A pHmetria com impedância multicanal intraluminal (MII-pH) representa um avanço tecnológico significativo em relação à pHmetria convencional. Enquanto a pHmetria tradicional detecta apenas refluxo ácido, a pHmetria com impedância detecta qualquer tipo de refluxo — ácido, não ácido (com pH entre 4 e 7) e alcalino (pH > 7) — bem como episódios de refluxo gasoso. Esta tecnologia é particularmente útil em pacientes que persistem com sintomas mesmo em uso de IBP (doença refratária ao tratamento), pois nesses casos o refluxo não ácido pode ser o principal responsável pelos sintomas.
O Exame Tem Riscos?
A pHmetria esofágica é um exame seguro e com riscos mínimos. Os principais desconfortos são o leve ardor ou irritação nasal durante a passagem e permanência do cateter, e a sensação de ter algo na garganta ao longo das 24 horas. A maioria dos pacientes tolera bem o exame e consegue realizar suas atividades normais durante o período de monitorização. A pHmetria sem fio (cápsula Bravo) elimina o desconforto do cateter, mas requer uma endoscopia para sua instalação.
pHmetria Esofágica e o Diagnóstico Completo do Refluxo
Para uma avaliação completa da doença do refluxo gastroesofágico, a pHmetria esofágica é frequentemente realizada em conjunto com a manometria esofágica e a endoscopia digestiva alta. A combinação desses três exames fornece informações complementares sobre a estrutura e a função do esôfago, permitindo ao especialista elaborar um diagnóstico preciso e indicar o tratamento mais adequado para cada paciente — seja clínico (medicamentoso), seja cirúrgico.
Onde Realizar a pHmetria Esofágica?
A pHmetria esofágica deve ser realizada em centros especializados em gastroenterologia e endoscopia digestiva, que disponham de equipamentos modernos e equipe treinada na interpretação dos resultados. Se você apresenta azia frequente, regurgitação, tosse crônica ou outros sintomas sugestivos de refluxo que não melhoram com o tratamento habitual, consulte um gastroenterologista. Para saber mais sobre os exames disponíveis, acesse nossa página sobre endoscopia digestiva e conheça os procedimentos realizados na Endostar.
Para mais informações sobre doenças digestivas, acesse o portal da Sociedade Brasileira de Gastroenterologia.